Um Artista Para Este e Para Todos Os Anos: Homenageando Caetano Veloso, a Personalidade do ano de 2012 da Academia Latina da Gravação®

Novembro 15, 2012 -- 12:00 am PST

A carreira do cantor e compositor brasileiro Caetano Veloso é marcada por músicas que definem épocas.

Sua música vem sendo parte da trilha sonora da vida de várias gerações de fans da música latina.

Resumir tudo isso em um show de uma hora parecería um desafio impossível.

Mas com a ajuda de um elenco de estrelas que inclui Alejandro Sanz, Juanes, Juan Luis Guerra, Nelly Furtado e Enrique Bunbury, a Academia Latina da Gravação® homenageou a Caetano Veloso como a Personalidade do ano de 2012 com uma apresentação que destacou e rendeu tributos a todas suas extraordinárias conquistas.

Apresentado pela cantora Julieta Venegas, ganhadora de cinco Latin GRAMMY, e Gabriel Abaroa, Presidente e CEO da Academia Latina da Gravação®, no grande Arena Garden no MGM Grand em Las Vegas, o show combinou video, montagem de fotos e performances ao vivo.

Iniciou com um video de retrospectiva com a trajetória de Caetano desde suas origens (em um momento ele conta que, na realidade, ele nunca teve a intenção de se tornar músico), através dos momentos tumultuosos dos anos 60 no Brasil, Tropicalia, seu exílio, seu retorno e as reinvenções que ainda hoje continuam.

Como era de se esperar, considerando o homenageado, os artistas que participaram, não se conformaram em simplesmente reproduzir seus êxitos, mas também deixaram sua marca na música de Caetano.

A ganhadora de um Latin GRAMMY e um GRAMMY, Nelly Furtado, uma canadense de descendência portuguesa, tomou o desafio de interpretar “Leaozinho”, um clássico que Caetano gravou em 1977 em seu disco Bicho, adicionando um toque de ska a canção.

O roqueiro espanhol Enrique Bunbury e a cantora espanhola de Hip Hop La Mala Rodriguez adicionaram um toque original ao clássico “Os Argonautas”, um daqueles temas que marcaram época, parte do disco Álbum Branco de Caetano, que foi lançado no Brasil em 1969.

Eles interpretaram a música como uma música dos anos 20, até o momento em que La Mala rompe     o ritmo adicionando um toque de rap. Também foi interessante escutar a cantora espanhola La Mari(do Chambao) naturalmente adicionando um toque flamenco a música “Onde O Rio é Mais Baiano”.

Enquanto o cantor, compositor e produtor dominicano Juan Luis Guerra, ganhador de 17 Latin GRAMMY e dois GRAMMY, e este ano recebeu seis indicações, cantou “Lindeza” em espanhol, de uma maneira elegante flutuando sua voz sobre um potente ritmo de samba. O cantor e compositor Juanes, ganhador por 17 vezes de um Latin GRAMMY e indicado a quatro prêmios este ano, optou por uma guitarra acústica ao seu lado e uma orquestra de cordas para interpretar o clássico “Sampa”, a canção de amor de Caetano para a cidade de São Paulo. O cantor e compositor espanhol Alejandro Sanz interpretou “Força Estranha” em espanhol, enquanto fotos de Caetano eram projetadas contando sua história. Sanz é um daqueles artistas que pela força da sua personalidade são capazes de transformar qualquer canção em uma declaração pessoal, e assim ele fez com esta interpretação, quem sabe, a melhor homenagem de um artista a outro.  E também houve saudações a Caetano por seu interesse no “Great Latin American Songbook”, algo que se reflete no seu disco Fina Estampa(1994) e Fina Estampa Ao Vivo(1996).  A cantora peruana que reside a muito tempo no México, Tania Libertad escolheu “Fina Estampa”, o grande clássico da compositora peruana Chabuca Granda. Enquanto a cantora mexicana e ganhadora de um Latin GRAMMY, Lila Downs, quem colaborou com Caetano no tema principal do filme de Julie Taymor, Frida, ofereceu uma forte versão de “Cucurrucu Paloma”, um huapango que Caetano explorou em Fina Estampa Ao Vivo. Sua interpretação apaixonada, e o impressionante alcance da sua voz resultou no primeiro aplauso de pé da platéia da noite.  Finalmente a atriz Sonia Braga apresentou a Caetano Veloso o prêmio de Personalidade do Ano de 2012. “Es demasiado”, disse Caetano em seu breve discurso antes de agradecer a cada um dos intérpretes. E o evento acabou da única maneira possível, com o homenageado encerrando o círculo com sua própria voz. Para isso Caetano decidiu retornar as suas origens, cantando “Não Identificado”, outra música do disco Álbum Branco de 1969. É uma música que fala sobre “escrever uma canção de amor para um disco voador”, um jogo de palavras com “disco” e UFO. Desde aqueles dias, Caetano continua escrevendo músicas de amor, e se aqueles que pilotam discos voadores tem coração, eles estarão tocando suas músicas muito além dos ecos deixados pelo show de quarta-feira.