Os Prêmios Especiais homenageiam o talento e o trabalho que ajudaram a criar o som da música latina

Novembro 19, 2015 -- 6:00 am PST

É apropriado que a semana que culmina com a 16ª Entrega Anual do Latin GRAMMY, A Noite Mais Importante da Música Latina™, uma celebração de seu presente e seu futuro, inicie com um evento homenageando aqueles que, com seu talento e seu trabalho, têm contribuído, através dos anos, para a criação de seu som.

Esta manhã A Academia Latina da Gravação® conferiu a Leandro "Gato" Barbieri, Ana Belén e Víctor Manuel, Angela Carrasco, Djavan, El Gran Combo De Puerto Rico e Pablo Milanés o Prêmio à Excelência Musical; enquanto Federico Britos, Humberto Gatica e Chelique Sarabia foram homenageados com o Prêmio da Junta Diretiva.

A cerimônia, assistida por 400 convidados e apresentada por Gabriel Abaroa Jr. Presidente/CEO da Academia Latina da Gravação, foi apresentada no KÀ Theatre do MGM Grand Hotel & Casino, na manhã desta quarta-feira.  Esta foi a 12ª apresentação anual dos Prêmios Especiais e Manolo Díaz, Vice-Presidente da Fundação Cultural Latin GRAMMY® e um dos apresentadores, observou que "cada evento tem tido um impacto emocional inesquecível".

Este ano não foi uma exceção.

Houve muitos momentos especiais e emocionantes.

Os cantores espanhóis Ana Belén e Víctor Manuel, parceiros de muitos anos na música e na vida, foram os primeiros a receber o Prêmio à Excelência Musical, que é outorgado por votação da Junta Diretiva da Academia Latina da Gravação "a artistas que tiveram contribuições criativas de grande importância artística no campo da gravação durante suas carreiras".

Agradecendo seu prêmio, Víctor Manuel falou da "alegria que nos dão. Mas isto é como dar um prêmio a uma criança por tomar sorvete. Eu tenho tomado sorvete por 50 anos e agora, para coroar, este reconhecimento". Belén disse que o prêmio é um reconhecimento à excelência. ¨A excelência deve ser um dever, uma obrigação”, disse ela. “E mesmo que seja algo utópico, quero continuar em sua busca. Não acredito que alcancei minha excelência, mas enganei vocês".

A cantora dominicana Angela Carrasco, que teve seu primeiro grande sucesso no papel de Maria Madalena na versão espanhola de Jesus Cristo Superstar, convertendo-se a seguir em uma estrela latina de renome mundial, agradeceu ao seu público, bem como aos letristas e compositores, mas pediu um aplauso para Camilo Sesto, que a apoiou na Espanha e produziu seus álbuns. "Por que me dão um prêmio? Eu faço isto com todo meu amor. Eu amo fazer isto."

Falando em português, o cantor, compositor e guitarrista Djavan, um dos grandes expoentes da MPB (Música Popular Brasileira) aceitou o prêmio como um reconhecimento aos seus 40 anos de trabalho. "Uma vida inteira dedicada à música. ... Cada vez que falo com Deus não lhe peço nada, o agradeço".

Ostentando sua marca registrada de chapéu e cahecol, o saxofonista argentino Leandro "Gato" Barbieri, que fará 83 anos na próxima semana, em 28 de novembro, falou do seu início na carreira profissional aos 17 anos. "Toquei por 62 anos, gravei 45 discos e sempre, sempre com a ideia de fazer algo novo, mas sem destruir o que veio antes".

A entrega dos Prêmios Especiais é o tipo de evento em que até as estrelas se tornam fãs novamente, com uma alegria e entusiasmo de criança. Isto ficou evidenciado quando Johnny Ventura, ganhador do Latin GRAMMY, ganhador do Prêmio à Excelência Musical e membro da Junta Diretiva da Academia Latina da Gravação, e Víctor Manuelle, superstar da salsa, apresentaram Rafael Ithier, fundador e diretor de El Gran Combo De Puerto Rico, uma instituição da música afro-caribenha.  

Ithier dividiu o prêmio com os membros do grupo, de hoje e de ontem. "Eles merecem este prêmio tanto quanto eu. Isto é um incentivo para continuar. Nossa vida é muito  sacrificada,mas quando recebemos este tipo de reconhecimento, tudo vale a pena".

O cantor e compositor cubano Pablo Milanés, uma figura líder do movimento Nueva Trova, foi extremamente breve em seu discurso, dedicando o prêmio à sua família e ao povo cubano, "a melhor audiência que já tive", o público que "ouve e respeita meu trabalho".

O venezuelano renascentista Chelique Sarabia, compositor, poeta, produtor e mais, foi o primeiro dos três homenageados com o Prêmio da Junta Diretiva que é outorgado por votação do Conselho da Academia Latina da Gravação "a indivíduos que tenham prestado importantes contribuições —excluindo interpretações—  no campo da gravação ao longo de suas carreiras".

Para o venezuelano, "este prêmio é como receber um Nobel", e observou que está afastado há 40 anos e sem dúvida o Latin GRAMMY, "que só tem 16 anos, têm muita memória". Também aproveitou o momento para mencionar a situação política venezuelana, sugerindo que seu prêmio foi "somente um preâmbulo das notícias de seis de dezembro".

O violinista uruguaio Federico Britos não somente agradeceu a seus professores e artistas como Barbieri "a quem admiramos muito no Uruguai", mas também usou o tempo para colocar o prêmio no contexto: "é um reconhecimento à música, à vida" disse Britos. "Todos os criadores, sejam músicos, pintores, escritores... todos colaboramos para dar a este mundo, que está tão complicado, momentos como este,  de paz e felicidade através da música".

A cantora Celine Dion foi uma apresentadora surpresa, eloquente e emotiva, do prêmio ao engenheiro e produtor chileno Humberto Gatica. Falando em inglês, Dion saiu do script ("Não sou de falar muito", disse) para elogiar Gatica, o engenheiro em seu primeiro disco em inglês. "Humberto tem cantado comigo todos estes anos," disse generosamente.

Gatica, que chegou aos Estados Unidos em 1968, com 17 anos, falou de seus primeiros anos. "Limpei chão, fiz café, limpei banheiros", antes de construir uma extraordinária carreira e trabalhar com os melhores do pop, de Alejandro Sanz, Gloria Estefan e Shakira a Dion, Michael Jackson e Madonna. A história de Gatica, uma história americana, foi um fechamento perfeito para um evento recheado de emoção, rico em história e gratidão.