A Noite Mais Importante da Música Latina

Novembro 20, 2014 -- 8:40 pm PST

O Latin GRAMMY comemorou 15 anos de existência, fazendo o que melhor sabe fazer: apresentando a música latina como um jardim bonito e interminável, com flores de todas as cores e para todos os gostos. As flores, neste caso, eram as músicas de salsa, tango, pop, urbana, banda sinaloense e outros gêneros que músicos de todas as idades e países interpretaram no que talvez tenha sido a melhor cerimônia do Latin GRAMMY até agora.

E os vencedores representaram esta sensibilidade democrática do Latin GRAMMY, onde as propostas comerciais e populares são aceitas com o mesmo entusiasmo como a técnica mais requintada ou lançamento experimental até a medula. Todas as músicas são bem-vindas, desde que tenham algo a dizer.

Foi assim que o tão cobiçado Latin GRAMMY para Melhor Álbum do Ano foi apresentado postumamente ao mestre do violão Paco de Lucía por Canción Andaluza, um disco de coplas, influenciado por sua infância, que ele gravou antes de sua morte. Enquanto que “Bailando”, o sucesso internacional de Enrique Iglesias com Descemer Bueno e Gente de Zona, triunfou precisamente como Canção do Ano. A venezuelana Mariana Vega ganhou com Melhor Artista Revelação, e o urugaio Jorge Drexler - em colaboração com a talentosíssima rapper chilena Ana Tijoux – levou um Latin GRAMMY por Gravação do Ano por "Universos Paralelos", um tema lírico e atmosférico.

Enfatizando este aniversário tão especial – uma festa de debutante de luxo - apresentações musicais brilharam com uma energia especial, convidando vários vencedores do passado para apresentar suas novas criações. O grupo porto-riquenho Calle 13 começou a noite de pura adrenalina com uma versão inspirada de "El Aguante", demonstrando mais uma vez que, depois de tomar seus primeiros passos no reggaeton, tornou-se um coletivo tão progressivo como inovador. Enquanto Carlos Vives reiterou a vitalidade contagiante de sua música com duetos com o colombiano Chocquibtown ("El Mar De Tus Ojos") e o salsero Marc Anthony (“Cuando Nos Volvamos A Encontrar”).

Havia também um espaço reservado para os pioneiros, aqueles criadores visionários que há décadas mudaram tudo com suas canções rebeldes. Como Rubén Blades, que  revolucionou a salsa com um sucesso de oito minutos, na década de 1970: "Pedro Navaja". O cantor panamenho transformou o palco do Latin GRAMMY em um beco no subúrbio de Buenos Aires para cantar "Pedro Navaja" em formato do tango tradicional. E o homenageado como Personalidade do Ano 2014, o catalão trovador Joan Manuel Serrat, emocionou o público com a ternura de "Mediterráneo", hino da música ibero-americana. Ao receber o prêmio, Serrat agradeceu o ouvinte anônimo, o admirador de sua música, a verdadeira razão para a existência de todo artista dedicado à música.

Os diálogos musicais e encontros inesperados ocorreram durante toda a noite. O veterano guitarrista de rock místico Carlos Santana com o rapper Pitbull. O trovador espanhol Pablo Alborán com a doçura pop dos mexicanos Jesse & Joy. O atual rei da música ranchera, Pepe Aguilar, fez um dueto com o enigmático cantor espanhol Miguel Bosé. Mais perto do final, o colombiano Juanes, eterno favorito do Latin GRAMMY, nos fez lembrar da beleza de suas melodias com um medley de sucessos, incluindo “Me Enamoro” e “La Camisa Negra”, acompanhado por dois percussionistas e uma banda incrível.

O Latin GRAMMY completou 15 anos.  Já tem em sua história uma coleção impressionante de lembranças musicais. Os tempos mudam, mas o poder de uma boa música continua a nos reconfortar. Até o ano que vem.