A 16a Entrega Anual do Latin GRAMMY, um festim musical

Novembro 23, 2015 -- 6:41 am PST

A cantora e compositora mexicana Natalia Lafourcade foi a grande ganhadora da 16ª Entrega Anual do Latin GRAMMY, celebrada no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, na noite de quinta-feira.

Lafourcade, que havia ganhado um Latin GRAMMY com seu grupo Natalia y La Forquetina em 2006, começou o dia indicada em cinco categorias e ganhou em quatro: Melhor Álbum de Música Alternativa por Hasta La Raíz e Gravação do Ano, Canção do Ano e Melhor Canção Alternativa pelo tema que dá título ao disco.

Quem a privou de uma limpa completa foi Juan Luis Guerra que levou o Álbum do Ano por Todo Tiene Su Hora. Guerra, que tinha sido indicado para quatro Latin GRAMMY, ganhou três. Na Latin GRAMMY Premiere horas antes havia ganhado Melhor Álbum Tropical Contemporâneo por Todo Tiene Su Hora e Melhor Canção Tropical por “Tus Besos”.

O grupo colombiano Monsieur Periné, cujo som fresco toma emprestado, improvavelmente, do swing e o jazz cigano, ganhou Artista Revelação.

É da natureza de uma apresentação como a 16ª Entrega Anual do Latin GRAMMY que o show musical seja uma coleção de estilos e gêneros, do merengue, pop e rock até a música de banda e o reggaeton. Mas o que, talvez, faça esta edição ainda mais memorável sejam as colaborações como a de quem já foi e talvez voltar a ser, o Fresh Prince, Will Smith, um múltiplo vencedor do GRAMMY, e o grupo colombiano Bomba Estéreo. Sua versão techno tribal de "Fiesta (Remix)" foi uma sacudida de energia, mesmo em um show de alta energia como o da última noite.

Notável também a colaboração do grupo colombiano ChocQuibTown, que ganhou Melhor Álbum Tropical Fusion por El Mismo, com o Litz Alfonso Cuban Ballet, a primeira vez que um grupo de dança cubana participa na cerimônia de entrega do Latin GRAMMY.

E houve também momentos como o dividido pelo grupo de pop rock mexicano Maná e os já icônicos Tigres del Norte em "Somos Más Americanos". "Ya me gritaron mil veces que me regrese a mi tierra/ Porque aquí no quepo yo", cantaram. "Quiero recordarle al gringo: Yo no crucé la frontera, la frontera me cruzó a mí".

Maná já tinha feito uma forte declaração ao vencer na categoria Melhor Álbum de Pop Rock. Em seu breve discurso de agradecimento, o cantor e guitarrista Fher Olvera admitiu que “isso não era é o que esperávamos”, para então notar que os Estados Unidos são lar de mais de 50 milhões de latinos. “É o segundo maior país onde o espanhol é falado, significa que temos de exercer nosso poder. Temos que votar.”

A brutal realidade de hoje em dia também foi notada na atmosfera de festa quando, depois de ganhar Melhor Interpretação Urbana (por "El Perdón", com Enrique Iglesias) Nicky Jam lembrou as vítimas dos atentados terroristas em Paris.

A incomparável Rita Moreno, que não só ganhou um Oscar, um Emmy, um GRAMMY e um Tony, a única latina a conseguir isso, mas também foi homenageada com um Prêmio à Excelência Musical em 2012, foi protagonista de um dos momentos especiais da noite quando, com inimitável graça, se declarou fã de reggaeton antes de anunciar o vencedor na categoria Melhor Álbum de Música Urbana, Tego Calderón por El Que Sabe, Sabe.

Através de gerações e estilos, a festa da 16ª Entrega Anual do Latin GRAMMY falou da vitalidade e energia da música latina. Alguns nomes conhecidos sim, mas também, e talvez até mais importante, a celebração de uma evolução constante.